Emoção, Afetividade e a Relação com a Educação,
segundo a Teoria Histórico - Cultural

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Ariane R. Tagliaferro RA 001383
Janina Riberi RA 013333
Luciana Carlos RA 003136
Paula D. Cabral RA 002290
Verônica Guilherme RA 002609

 

INDICE
INTRODUÇÃO

HENRY WALLON E AS EMOÇÕES
A ORIGEM DAS EMOÇÕES
MECANISMOS DE AÇÃO DA EMOÇÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO
O PROBLEMA DA AFETIVIDADE EM VYGOTSKY
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


INTRODUÇÃO

Ultimamente, nota-se um crescente interesse pelo tema da afetividade devido à sua considerável relevância enquanto fator fundamental no processo de desenvolvimento humano. Entretanto, até o momento atual, poucos teóricos em psicologia e pedagogia abordaram tal tema.

Dentro da abordagem histórico-cultural, Vygotsky é um dos principais autores a ser considerado; entretanto focaliza seus estudos em outras funções psicológicas superiores, e não desenvolve muito os temas emoção e afetividade. Tal fato justifica a escolha de Henry Wallon como referencial teórico para o desenvolvimento do presente trabalho, que tem por objetivo "pensar e analisar" a emoção e a sua relação com a racionalidade e o comportamento humano.

 

EMOÇÃO, AFETIVIDADE E A RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO, SEGUNDO A TEORIA HISTÓRICO - CULTURAL.

As pesquisas em pedagogia e sobre o desenvolvimento infantil em geral, ainda hoje, deixam de lado uma parte fundamental para que se busque o entendimento pleno do desenvolvimento, das transformações e do viver humano: a área afetiva.

A maioria dos pesquisadores em educação, dos teóricos em psicologia ou pedagogia e das pessoas em geral, ainda não têm consciência da indissociabilidade entre os sistemas afetivo e cognitivo do ser humano.

Um está interligado ao outro no processo de desenvolvimento individual de cada indivíduo. Se um sujeito está, por exemplo, com problemas afetivos, e, portanto desequilibrado emocionalmente, é certo que não poderá se dedicar como poderia, ao processo de desenvolvimento cognitivo. Da mesma maneira, para que determinado indivíduo consiga entender e compreender suas emoções e sentimentos é preciso que sua racionalidade esteja bem estruturada, quanto à organização de idéias, por exemplo.

Portanto, a escola não deve se limitar a estudar e promover somente aspectos que se refiram somente ao desenvolvimento cognitivo. Ela deve procurar interligação no desenvolvimento de atividades que compreendam o desenvolvimento científico, dando espaço também para um trabalho que possibilite a compreensão do aspecto afetivo, já que este, assim como o cognitivo, é inerente à conduta humana.

"Portanto para realizar uma ação educativa eficaz, a escola não deve se considerar alheia aos conhecimentos que favoreçam o total desabrochar da pessoa. Pelo contrário, deve-se considerar atenta a todos os aspectos relacionados com a atividade de conhecimento, para realmente se constituir num meio propício para o desenvolvimento mental e pessoal da criança".(Almeida, p.13).

O ser humano passa grande parte de sua vida na escola; as experiências e os conhecimentos lá vivenciados possuem grande significação em toda sua vida social e afetiva.

Os professores têm decisiva influência em como os seus alunos irão viver e experenciar determinadas situações. Por isso é importante que eles conheçam seus alunos não somente no aspecto cognitivo, mas também, e principalmente, no afetivo-emocional, pois "assim é fácil garantir a otimização das relações, das trocas entre parceiros e de qualquer outra experiência na escola que exerça sensível influência na estrutura da personalidade da criança". (Almeida, p.14).

O professor não deve assumir papel de pai ou mãe do aluno, mas deve atuar como um mediador, não só no processo cognitivo, mas também do processo de evolução da afetividade da criança.

Infelizmente, os cursos de formação de professores ainda são muito deficientes quanto ao estudo das emoções. A habilidade em lidar com a afetividade, com certeza levaria à sala de aula uma ação pedagógica mais eficaz. A ausência desse tipo de competência traz prejuízos físicos e psicológicos aos professores e alunos.

"Assim, enquanto o conhecimento do funcionamento emocional pode representar para o professor, a mola mestra do equilíbrio diante das reações emocionais dos seus alunos, sua ignorância pode significar o risco de uma escravidão". (Almeida, p.17)
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HENRY WALLON E AS EMOÇÕES

Quando se fala de afetividade e emoções dentro da "corrente" histórico-cultural, é imprescindível falar de Wallon (1879-1900). Acadêmico, político e médico francês, este teórico teve como tema central de suas pesquisas, o sistema afetivo e sua relação com o desenvolvimento humano. Seus trabalhos sempre se preocuparam em analisar o desenvolvimento e as transformações do ser humano.

Procurando estudar e demonstrar as relações entre sistema afetivo e cognitivo, o autor tinha, entre suas preocupações, que a escola se preocupasse em desenvolver a criança como um ser total; isto é, o desenvolvimento de sua racionalidade e também o desenvolvimento e construção de sua personalidade.

Em suas obras e em sua luta em defesa do reconhecimento da psicologia como ciência, Wallon sempre destacou essa matéria como ciência humana, enfatizando a relação dialética entre ser e meio. Um pensamento Walloniano que chamou a atenção do grupo foi o fato de ele acreditar que a psicologia nunca será uma ciência acabada, pois já que o ser humano, seu objeto de estudo, está em constante evolução, a ciência que o estuda também deve estar. Pretende-se, depois dessa breve apresentação sobre Wallon, analisar um pouco da concepção walloniana de afetividade.

 

O SISTEMA AFETIVO, SEGUNDO WALLON:

Segundo a concepção walloniana, a personalidade humana é constituída basicamente por duas funções: a afetividade e a inteligência, sendo que o nascimento da primeira é anterior ao da segunda. Segundo o autor, enquanto a criança não possui o domínio da palavra, é o movimento afetivo que garante sua relação com o meio e com o mundo que a cerca. A emoção é, portanto, a linguagem da criança. A relação interindividual é anterior à relação humano – mundo, por isso o contato com o outro, assim como com suas emoções e sensibilidade, são essenciais no início da relação criança-meio.

Com o passar do tempo, a linguagem verbal, através principalmente do elogio, substitui o carinho tatual e as relações afetivas se estendem para o campo do respeito e da admiração. A admiração e o respeito são importantes, mas o contato sensível também pode ser muito significativo no desenvolvimento afetivo do ser humano.

Seguindo a teoria histórico – cultural, Wallon afirma que apesar de ter origem orgânica, a emoção não é desencadeada ou desenvolvida pelo meio orgânico. É a interação do ser humano com o meio que desenvolve a pessoa em todos os seus aspectos, e dessa forma não seria diferente com relação à emoção. Para o autor, "as capacidades biológicas são as condições de vida em sociedade, mas o meio social é a condição do desenvolvimento dessas capacidades".

A afetividade, assim como a inteligência, não aparece pronta e nem permanece imutável em todo decorrer da vida do indivíduo. Ambas evoluem ao longo do desenvolvimento bio-social da criança. A comunicação do bebê via emoção é o que Vygotsky poderia chamar de processo psicológico elementar, isto é, são reações involuntárias e não racionalizadas. Com o desenvolver da cognição, as necessidades afetivas tornam-se cognitivas e, apesar das reações emocionais serem sempre involuntárias, elas podem ser conseqüência de situações sociais já intelectualizas, que por algum motivo carregam uma carga afetiva-emocional. Nesse caso, pode-se dizer então que são reações que pertencem aos processos psicológicos superiores, já que partem de situações ou sentimentos intelectualizados.

Resumindo: quando a emoção parte de uma necessidade biológica, pode-se dizer que se trata de um processo elementar, mas quando a exteriorização emotiva trata de necessidades, fatos ou sentimentos intelectualizados, esta pertence ao que se chama de processo psicológico superior.

Ao se falar de afetividade, emoção e sentimentos, é preciso que se faça uma diferenciação entre as três concepções já que são conceitos diferentes, mas geralmente generalizados como algo único.

 

A ORIGEM DAS EMOÇÕES

Para Wallon, as emoções têm origem ontogenética, isto é, são de caráter individual e pessoal e também são de caráter evolutivo; sua manifestação depende tanto do meio quanto da maturação funcional de estruturas biológicas. Segundo o autor, se deixássemos o caráter emocional especificamente para o meio social, então elas seriam apenas um reflexo do meio. Tornar apenas o meio responsável pelas emoções seria desconsiderar determinados comportamentos emotivos em deficientes mentais, que não interagem com a cultura. Esses comportamentos, no caso específico desse tipo de pessoa, são resultantes da maturação biológica funcional de determinadas estruturas.

Devido à maturação funcional de sistemas biológicos, a emoção possui caráter evolutivo, ou seja, ao longo do desenvolvimento, o indivíduo vai se tornando capaz de exprimir emoções mais complexas através da mediação do outro, da linguagem e da cultura. As emoções pertencentes aos processos psicológicos superiores são também construções culturais. A emoção é a forma que o corpo encontra de exprimir o que é pessoal e socialmente agradável ou desagradável para determinado sujeito.

Sua manifestação depende do outro, isto é, para que haja o desencadeamento de uma reação emotiva é necessário que se tenha a presença de um espectador, pois a emoção não se manifesta sem "platéia"; mesmo que esta seja imaginária, é necessário que se faça presente.

O choro e o riso são as vias mais comuns de expressão da emoção. É importante salientar que ambos não podem ser considerados como emoções em si, mas como veículo de expressão. O corpo é o meio que a emoção tem de se expor e o choro e o riso muitas vezes são caminhos que as reações emotivas percorrem para se expressar livremente. Na verdade, a emoção pode se traduzir de duas maneiras: externamente (por intermédio de atividades somáticas e autônomas, como expressão facial, lágrimas, palidez e riso) ou internamente (sob forma de alterações viscerais ou vasculares, como tremor, alteração do pulso, queda de pressão). Os efeitos externos e internos da emoção demonstram sua estreita reação com o sistema biológico.
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MECANISMOS DE AÇÃO DA EMOÇÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO

 

RELAÇÃO EMOÇÃO X INTELIGÊNCIA

A emoção e a inteligência se relacionam durante todo o percurso psicológico do indivíduo. Wallon nos alerta sobre a importância que o ser humano deveria dar aos dois aspectos da personalidade humana. Entretanto, ele enfatiza que esta não é uma tarefa muito fácil quando se enfrenta a natureza insubordinada da emoção. Segundo ele, para que se produza intelectualmente, é imprescindível não se submeter ao poder da emoção, pois isso afetaria a percepção de mundo real e conseqüentemente reduziria o nível da atividade intelectual do sujeito. É necessário tentar uma racionalização da situação emotiva, em casos de intensa reação emocional. Da mesma forma em algumas atividades intelectuais, é necessário um trabalho de emocionalização, para que se faça de tal atividade algo mais criativo e espontâneo.

Entretanto, geralmente é a racionalidade que cede aos caprichos da emoção. O ideal seria encontrar um equilíbrio entre reações afetivas e inteligência, mas nem sempre isso é possível devido à intensa intelectualização social ou devido à intensa subordinação emocional em determinados indivíduos. Porém, a relação entre emoção e inteligência é realmente intensa. Na opinião de Wallon, as conquistas do plano emocional são também apreendidas pela racionalidade, e vice – versa. Segundo o autor, é exprimindo ao outro o que sentimos, por meio de palavras e gestos, que abolimos um estado emocional. A dissolução ocorre exatamente pela transformação da emoção em atividade mental.

 

A RELAÇÃO PROFESSOR ALUNO E A EMOÇÃO

Levando-se em conta a relação entre emoção e cognição, e considerando-se que professores e alunos estão susceptíveis a reações emocionais, deve-se entender que, em sala de aula, deve-se necessariamente trabalhar com a compreensão e o conhecimento das emoções, além do conhecimento científico, pois ambos são importantes para o desenvolvimento da personalidade. É necessário que professores e alunos aprendam a se inter-conhecerem e a se intra-conhecerem, para que assim possam se desenvolver mais completa e plenamente, entendendo sua intelectualidade, assim como também compreendendo o funcionamento do sistema afetivo.
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O PROBLEMA DA AFETIVIDADE EM VYGOTSKY

"As dimensões cognitivas e afetivas do funcionamento psicológico têm sido tratadas, ao longo da história da psicologia como ciência, de forma separada, correspondendo a diferentes tradições dentro dessa disciplina. Atualmente... percebe uma tendência de reunião desses dois aspectos, numa tentativa de recomposição de ser psicológico completo..." (Oliveira, 1992, p.75) assentada numa necessidade teórica de superação de divisões artificiais.

Vygotsky usou o termo "função mental" para referir-se a processos como pensamento, memória, percepção a atenção. Ele faz diferença entre funções mentais elementares (atenção involuntária) e funções mentais superiores (atenção voluntária e memória), mas, o central da sua teoria é a essência de inter-relação delas com outras funções. A constituição da consciência é feita por processos pelos quais o afeto e o intelecto se desenvolvem "inteiramente enraizados em suas inter-relações e influências mutuas"

Vygotsky concebeu a pessoa como um todo (abordagem holista). Ele não aceita divisões das dimensões humanas (concepção monista) de corpo/alma, pensamento/linguagem, etc. Portanto, não separa o afetivo e cognitivo.

Critica a abordagem da psicologia tradicional que separa os aspectos intelectuais dos volitivos afetivos. Para o autor "o pensamento tem sua origem na esfera da motivação, a qual inclui inclinações, necessidades, interesses, impulsos, afeto e emoção" (Oliveira, 1992, 76). Assim, esse pensamento dissociado fecha as portas á questão da causa e origem de nossos pensamentos já que não explica como é que o pensamento influência sobre a vida pessoal e o inverso.

Vygotsky afirma que o estudo em conjunto do afetivo e o intelectual permite-nos compreender as trajetórias do pensamento em relação com os impulsos da pessoa podendo fazer também o caminho inverso.

Vygotsky escreveu muitos textos sobre a dimensão emocional-afetiva do conhecimento, mas poucas foram traduzidas e muitas não publicadas.

Ele também escreveu alguns comentários sobre psicanálise, literatura e teatro.

O conceito de consciência é tão central em sua concepção das relações entre afeto e intelecto como suas idéias sobre alguns conceitos ligados com a dimensão afetiva do funcionamento psicológico do homem.

 

Consciência

Vygotsky, querendo superar as visões reducionistas da sua época, argumentava que a consciência é uma "organização objetivamente observável de comportamento, que é imposta aos seres humanos através da participação em práticas sócio-culturais" (Wertsch,1988, pp. 195-196 in Oliveira, 1992, p. 78).

Sua fundamentação marxista é evidente: a construção da consciência no plano intrapsicológica não é uma cópia da realidade externa, ela se gera a partir do material interpsicológico, de relações sociais.

A mediação social é aqui muito importante já que é a partir dela, através da linguagem, que o homem forma sua consciência.

A fala não é só uma forma de codificação e decodificação das informações: ela também regula o comportamento do homem já que, "as impressões que chegam a ele, vindas do mundo exterior são submetidas a uma complexa análise e recodificadas de acordo com categorias que ele aprendeu e adquiriu como resultado da completa experiência histórica da humanidade".(Oliveira, 1992, p. 79).

Também o homem pode preparar e seguir complicados programas de ação, comparando, escolhendo ações e corrigindo erros cometidos.

A consciência seria um salto qualitativo na filogênese, a própria essência da psique humana, constituída por uma inter-relação dinâmica entre intelecto e afeto.

 

Subjetividade e intersubjetividade

As funções superiores referem-se a processos voluntários, ações conscientemente controladas, mecanismos intencionais (funções tipicamente humanas que apresentam o maior grau de autonomia, em relação aos fatores biológicos de desenvolvimento).

O processo de internalização das formas culturais envolve a reconstrução da atividade psicológica tendo como base as operações com signos, "é a base do salto qualitativo da psicologia animal para a psicologia humana" (Vygotsky, 1984 in Oliveira, 1992, p.80).

Por isso, a cultura não é pensada como um sistema estático ao qual o indivíduo se submete, mais como um palco de negociações onde as pessoas criam e reinterpretam as informações, os conceitos e significados. Neste sentido, a internalização é também um processo de constituição da subjetividade a partir de situações intersubjetividades.

"A passagem do nível interpsicológico ao intrapsicológico envolve relações interpessoais densas, mediadas simbolicamente... em uma construção de sujeitos únicos, como trajetórias pessoais singulares e experiências particulares em sua relação com o mundo" (Oliveira, 1992, p.80).

 Sentido e significado

"Os processos mentais superiores são processos mediados por sistemas simbólicos, sendo a linguagem o sistema simbólico básico de todos os grupos humanos. O significado é componente essencial da palavra sendo, ao mesmo tempo, um ato de pensamento, na medida em que o significado de um apalavra já é, em si, uma generalização" (Oliveira, 1992, p.80) pensamento e fala se unem em pensamento verbal.

Os significados permitem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo real, através do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. Mas a questão do significado não é só uma questão cognitiva, é também afetiva. Vygotsky distingue dois componentes do significado da palavra: o significado propriamente dito e o sentido. O significado propriamente dito refere-se a relações objetivas, historicamente constituídas, relativamente estáveis e compartilhado por todas as pessoas que a utilizam. O sentido refere-se ao significado da palavra para cada indivíduo, composto por relações feitas no contexto de uso da palavra, em vivências afetivas de indivíduo. "A linguagem é, assim, sempre polissêmica... para compreender a fala de outro temos que compreender suas palavras e também seu pensamento". (OLIVEIRA, 1992, 82)

 Discurso interior

Na internalização da linguagem, como processo de constituição da subjetividade é relevante para a compreensão da abordagem unificadora do funcionamento psicológico.

"No processo de aquisição da linguagem a criança... utiliza inicialmente a fala socializada, com a função de comunicação, contato social" (OLIVEIRA, 1992, 82). Depois, em fases mais avançadas essa fala é internalizada e passa a servir ao próprio indivíduo. "Isto é, ao longo de seu desenvolvimento, a pessoa passa a ser capaz de utilizar a linguagem como instrumento de pensamento" (OLIVEIRA, 1992, 82).

A forma internalizada de linguagem, o chamado "discurso interior", é um discurso sem vocalização, uma espécie de diálogo consigo mesmo, com a função de auxiliar o indivíduo em suas operações psicológicas, muito vinculado ao sentido das palavras.

Em suma, Vygotsky propõe uma abordagem unificadora das dimensões afetiva e cognitiva do funcionamento psicológico.

"Quando associado a uma tarefa que é importante para o indivíduo, quando associado a uma tarefa que, de certo modo, tem suas raízes no centro da personalidade do indivíduo, o pensamento realista da via a experiências emocionais muito mais significativas do que a imaginação ou desvaneio". (OLIVEIRA, 1992, 84).
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CONCLUSÃO

Abordar o tema emoção como parte integrante do desenvolvimento humano não apresenta poucas dificuldades. Ao longo da história da ciência se dividiu tanto o estudo do homem (o biológico separado do social, o cultural separado do histórico) que esta forma de tratamento se concretizou em práticas sociais entre elas a educação.

A perspectiva histórico cultural permite reconciliar estas dualidades historicamente constituídas, preocupando-se em explicar a relação que se estabelece entre afetividade e o intelecto.

A afetividade é uma condição indispensável de relacionamento com o mundo. Nossa relação com o mundo é em si afetiva; sempre estabelecemos um vínculo que envolve nossa afetividade, que nos agrada ou desagrada em diferentes níveis. Mas não amamos nem odiamos por predisposição genética.

É a partir das experiências prazerosas ou desagradáveis que se constituem nossas inclinações, nossas preferências, nossa forma de nos posicionarmos com o mundo, nossa forma de entendê-lo. Este é um marco de uma cultura que nos provem dos significados socialmente construídos. Por isso que consideramos importante não esquecer o quão importante é esse conceito na hora de refletir nossas práticas, sociais em especial, a educação.

É preciso recuperar a idéia de homem como unidade, como indivíduo social, histórico cultural, para pensar que o aluno não é um depósito de conhecimento, dando lugar à uma forma de relacionamento com o mundo. Melhorar essa relação gerando experiências positivas de encontro com o conhecimento, talvez seja um conteúdo a mais que a formação docente tem que incorporar.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Ana Rita Silva A emoção na sala de aula São Paulo: Editora Papiros, 2000.
LA TAILLE, Yves de Piaget, Vygotsky e Wallon, São Paulo: Summus, 1992.
OLIVEIRA, Ivone Martins de O sujeito que se emociona: signos e sentidos nas práticas culturais Campinas, S.P, 2001 UNICAMP/FE (tese de doutorado)
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