ensino.gif (241 bytes)ALGUNS TRABALHOS, SÍNTESES E  SEUS   PARTICIPANTES

 

"Solução de Problemas e Raciocínio verbal"
Profa. Márcia Regina Ferreira de Brito- Depto de Psicologia Educacional - FE -UNICAMP
Profa. Lucila Diehl Tolaine Fini - Depto de Psicologia Educacional - FE - UNICAMP
Prof. Vicente Joachin Neumann Garcia - Instituto de Psicologia - Universidade de Antofagasta - Chile

Pesquisa exploratória e correlacional que trata do raciocínio verbal e as relações e influências deste na solução de problemas. O objetivo deste trabalho foi verificar como são as relações entre a solução de problemas (que evidenciavam o raciocínio matemático) e o desempenho verbal. Foram selecionados 62 estudantes de primeiro e segundo anos de um curso noturno de licenciatura em Matemática e estes estudantes foram solicitados a resolver 12 problemas de natureza aritmética e algébrica, bem como responder ao teste de raciocínio verbal de Bennet, Seashore e Wesman. Os dados foram submetidos à uma análise de correlações e à análise dos componentes principais. Os resultados foram interpretados em termos da existência de dois processos de compreensão que são relacionados mas claramente distintos: Um processo de compreensão verbal (que se refere à compreensão do enunciado verbal do problema matemático, apresentado na forma escrita) e outro de compreensão matemática (que se refere à compreensão da natureza matemática do problema).

PERÍODO: Setembro de 1990 a Novembro de 1993

"Atitudes com relação à Matemática em alunos de primeiro e segundo Graus: Mito ou realidade?
Profa. Márcia Regina Ferreira de Brito- UNICAMP

PERÍODO: Novembro de 1992 - Novembro de 1995

* Este trabalho foi apresentado no concurso de livre docência realizado nos dias 31 de Setembro e 1º de Outubro de 1996.

Trata - se de uma pesquisa descritiva - correlacional, cujo objetivo principal foi detectar a existência, a ocorrência e os tipos de atitudes (positivas ou negativas) presentes em 2007 alunos de primeiro e segundo graus, além de procurar estabelecer relações entre as atitudes e algumas variáveis previamente selecionadas. Procurou - se, também, verificar se existe relações entre as atitudes e idade, grau de escolaridade, série,sexo, tipo de escola, reprovações, hábitos de estudo, compreensão de problemas em sala de aula, preferência por disciplina e atenção à aula de Matemática. O trabalho apresenta uma revisão bibliográfica mais ampla que o usual. Tendo em vista que praticamente inexistem trabalhos a respeito das atitudes na nossa realidade, tentou - se rastear trabalhos desenvolvidos em vários países. O instrumento usado para medir as atitudes com relação à Matemática foi o Inventário de Atitudes de Aiken, que foi traduzido e testado previamente com a finalidade de validação. Além deste instrumento, os alunos respondiam a um questionário cujo objetivo era obter, além das variáveis demográficas, informações sobre os hábitos de estudo em Matemática, reprovações, preferência por disciplina, compreensão matemática e atenção em sala de aula. Os alunos de terceira e quarta séries foram assistidos durante todo o tempo, com a finalidade de garantir que as questões fossem compreendidas. Os resultados obtidos foram submetidos à análise estatística usando para isso o programa SPSS. Foi feita, inicialmente, uma análise descritiva dos resultados e em seguida foi aplicada a análise fatorial. O passo seguinte foi estabelecer as correlações entre as médias obtidas no inventário de atitude e as varáveis separadas para estudo. Em primeiro lugar, o inventário de atitudes de Aiken revelou - se um instrumento consistente e significativo para medir as atitudes com relação à Matemática. Os resultados do inventário não revelam a ocorrência de atitudes altamente negativas com relação à Matemática, como é insistentemente enfatizado pelos indivíduos que atuam na área. Os resultados obtidos indicam diferenças significativas entre os sujeitos de sexo masculino quando comparados aos sujeitos de sexo feminino. Observa - se também que as médias no inventário são mais baixas em sujeitos de sexta e sétima séries, o que pode ser explicado.

"A estatística e o ensino de Matemática"
Profa. Clayde Regina Mendes

 

"Habilidades Matemáticas e solução de Problemas"
Coordenadora: Profa. Dra. Márcia Regina F. de Brito

Síntese: Sob este título congregam-se várias pesquisas que estão sendo desenvolvidas em escolas da rede pública e particular. Desde 1993, uma das vertentes do grupo tem sido o estudo das habilidades e, particularmente, a concepção de Kruteskii sobre as habilidades matemáticas. A partir do estudo do texto "The Psychology of Mathematical abilities" os trabalhos têm sido ampliados e hoje incluem estudos sobre o processamento da informação, particularmente nos aspectos referentes à formação de conceitos e princípios, ao pensamento resumido, mapeamento cognitivo, estilos cognitivos e influência destes nos estilos de aprendizagem da Matemática e na solução de problemas matemáticos. Os autores estudados além de Krutestskii são Shapiro, Dubrovina (continuadores da pesquisa de Krutetskii), Ausubel, Klausmeier, Piaget, Flavell, Van Hiele, R. Sternberg, J. R. Anderson, além da coleção Soviet studies in Mathematical Education (6 volumes) e os 5 volumes disponíveis do Soviet Studies in the Psychology of Learning and Teaching Mathematics. Convém ressaltar que existe uma ênfase na evolução histórica da Psicologia cognitiva e a leitura desses diferentes autores permite, inclusive, detectar a maneira como a psicologia cognitiva tem sido entendida (e às vezes não entendida) pela educação matematica.

Participantes: Alunos do Doutorado e Mestrado. Até o momento já foram concluídos os seguintes segmentos da pesquisa:

1- O processo de generalização durante a solução de problemas algébricos e as atitudes em relação à Matemática. Márcia Regina F. de Brito. Neste trabalho foram sujeitos 4 estudantes de sexo masculino de uma escola particular (todos com 13 anos de idade) e que haviam acabado de concluir a 7ª série. Três destes estudantes foram classificados pelo professor de Matemática como "bons" ou "ótimos" nas notas recebidas na 7ª série e apenas um deles obteve 3 notas M e um B na disciplina. Os alunos foram solicitados a resolver "pensando em voz alta", cinco séries de problemas e cada problema tinha de quatro a cinco variantes. Essas sessões eram gravadas. Respondiam também a um questionário, preparado de acordo com os objetivos da pesquisa e à escala de atitudes em relação à Matemática, além de serem entrevistados após a resolução dos problemas. Durante a solução dos problemas é possível perceber a passagem do concreto para o abstrato e também quando os alunos conseguem generalizar de um problema para outro. Os resultados desse estudo são bastante semelhantes aos encontrados por Krutetskii na solução destes mesmos problemas. Além disso os sujeitos classificados como bons ou ótimos na disciplina apresentam as mesmas características encontradas por Krutetskii e atitudes altamente positivas em relação à Matemática. Este trabalho foi apresentado no PME-20, realizado em Valência , Espanha em Julho de 1996 e encontra-se publicado nos Proceedings com o título: "Generalization in Algebra Problem Solving and Attitudes Toward Mathematics".

2- Um estudo sobre a solução de problemas em estudantes universitários (Magda Vieira da Silva, Nelson Antônio Pirola e Claudete M.M. Vendramini) - A presente pesquisa teve como objetivo investigar a solução de problemas em alunos universitários de acordo com três aspectos: tipo de enunciado do problema (completo, incompleto ou com informação em excesso), desenvolvimento (estratégias de desenvolvimento e tipo de raciocínio usado: algébrico, aritmético ou geométrico) e a resposta dada ao problema. Tentou-se verificar a existência de possíveis correlações entre as seguintes variáveis: tempo gasto na solução, Curso universitário, ano de conclusão do curso colegial e ano em que está na universidade, classificação do tipo de enunciado, desenvolvimento dos problemas e resposta. A amostra foi composta de 30 alunos de graduação escolhidos aleatoriamente pelo método de amostragem causal simples tomada de três séries (10 alunos de cada série) de uma faculdade do interior do Estado de São Paulo. Os problemas foram extraídos da série de Krutetskii (1976) e dos exemplos de jakubo e Lellis (1994). Os resultados mostraram que a maioria dos estudantes não estão familiarizados com problemas que apresentam enunciados completos ou em excesso. Também foi verificado que muitos estudantes não conseguem solucionar alguns dos problemas propostos devido à má compreensão dos conceitos e princípios envolvidos no problema. A análise estatística mostrou uma correlação negativa entre o desenvolvimento do problema e o ano de conclusão do curso colegial (r = -0,51). O desenvolvimento do problema se mostrou altamente correlacionado com a resposta dada ao mesmo (r = 0,96) e o tempo gasto para a realização da prova se correlacionou com a idade dos estudantes (r = 0,55). No grupo de sujeitos do presente trabalho houve o predomínio do raciocínio aritmético sobre o geométrico e o algébrico.

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