Bases Preliminares para um Ambiente Colaborativo de Aprendizagem |
Introdução
"Ambiente colaborativo" no campo da comunicação com o uso do computador em rede implica em determinadas formas de organizar as condições tecnológicas de maneira a permitir a participação de múltiplas pessoas no processo comunicativo, ou seja, permitir que a comunicação se faça numa via de "mãos múltiplas" e não na forma linear de "mão única".
Pressupõe-se, portanto, que esse tipo de ambiente é condição para o que denominamos de "interatividade".
A idéia de "ambiente colaborativo", à qual nos referimos aqui, relaciona-se com a concepção de "processo de aprendizagem".
Neste sentido, os ambientes virtuais colaborativos de aprendizagem são espaços compartilhados de convivência que dão suporte à construção, inserção e troca de informações pelos participantes visando a construção social do conhecimento. Devem, portanto, ser públicos e democráticos.
A construção desses espaços, que se interligam, supõe canais de comunicação que permitam e garantam o acesso contínuo. Os canais de comunicação bem como os espaços, devem ser diversificados, sob o ponto de vista tecnológico, permitindo o uso de instrumentos da tecnologia em situações síncronas e assíncronas, com variação dos processos de interação.
Do ponto de vista pedagógico, a sustentação do princípio de aprendizagem colaborativa nesses espaços ancora-se em:
- conhecimento compartilhado: a valorização do universo do conhecimento prévio, das experiências pessoais, línguas, estratégias e culturas que os alunos e os professores trazem para a situação de aprendizagem;
- autoridade compartilhada entre professores e alunos;
- aprendizagem mediada pelos autores e ações que se constroem nesses espaços (professores como mediadores);
- valorização das diversidades e das diferenças (gênero, etnia, classe social, estilos e ritmos de aprendizagem,..., enfim as histórias pessoais e as trajetórias sociais);
- a construção de significações e resignificações no processo de aprendizagem.
As características pedagógicas requerem:
- a flexibilidade dos papéis e movimentos no processo das comunicações e relações que fazem a mediação da aprendizagem;
- a valorização das diferentes autorias do professor/organizador, monitor e alunos participantes.
- a democratização das participações nos diferentes espaços do ambiente e da inserção de colaborações individuais e coletivas dos grupos de trabalho;
- alcance de metas realizadas coletivamente;
- debates que privilegiam novas leituras, interpretações, associações e críticas em espaços formais e informais;
- suporte aos estudos individuais.
Nesses espaços virtuais as trajetórias pedagógicas dos alunos e dos grupos constituem indicadores de avaliação contínua da aprendizagem e da reorientação metodológica. O ambiente deve permitir acesso a materiais externos referentes a temáticas abordadas. Esse ambiente colaborativo de aprendizagem fundamenta-se na complexidade da ciência e da produção de conhecimento, oferecendo situações que permitem o desenvolvimento de estratégias mediadoras no processo de aprendizagem. As concepções desse ambiente distanciam-se de um ensino tradicional aproximando-se de um ensino alternativo onde a educação se apropria da tecnologia.
A participação da equipe de Educação no projeto SAPIENS nesta primeira etapa da pesquisa consistiu em desenvolver subsídios teóricos que permitissem traçar rumos pedagógicos desejáveis na criação e concepção de espaços de aprendizagem em rede dentro da orientação colaborativa.
Esta constitui uma proposta alternativa e contemporânea da prática pedagógica articulada à construção de "pedagogias transformativas" sob novas possibilidades que a Internet e o Ciberespaço apropriados pela Educação podem oferecer para as práticas educativas.
Protagonistas
- Aluno / Autor
- Grupo / Autor
- Auxiliar Didático / Autor
- Professor / Autor
Suporte Institucional:
- Espaço de administração acadêmica
Ambiente em que se dará o gerenciamento acadêmico do ponto de vista institucional.
- Espaço para relações públicas
Espaço de interação do público externo e interno com a instituição que mantém o ambiente.
Suporte Técnico
- Espaço para trabalhos em grupo
O ambiente aceitará a formação de grupos, com acessos diferenciados, ou seja, tais grupos deverão ter áreas coletivas de trabalho com controle de acesso e ferramentas adequadas para gerenciar as atividades de grupo, produção de material e pesquisas sistematizadas. Cabe aos membros de um grupo decidir o momento de liberação de trabalhos produzidos para os demais protagonistas envolvidos no curso.
- Espaço para estudo individual
Área de trabalho individual onde o aluno deve poder coletar, organizar e sistematizar o material explorado no ambiente e na rede bem como produzir os seus trabalhos pessoais.Área de comunicação de pessoa a pessoa.
- Espaço do professor/autor
Repositório das informações geradas pelo professor/autor tais como: textos, imagens, vídeos, sons, animações, dados, simuladores, softwares diversos, referências hipertextuais, etc. Tais informações estarão organizadas em módulos intercambiáveis, ou seja, que permitam uma mobilidade entre eles, uma interligação por conceitos, idéias e referências. A decisão sobre as condições de disponibilização dos módulos aos alunos será do professor/autor, que determinará a cadência do curso avaliando e respeitando as trajetórias pedagógicas dos alunos.
- Espaço para textos
Repositório tanto de textos de apoio entendidos como aqueles importantes para a compreensão dos conceitos fundamentais bem como de textos complementares, ou seja, aqueles que possibilitam o aprofundamento em assuntos específicos. Os documentos nesse espaço são acrescidos e removidos pelo professor/autor, ao passo que os alunos devem apenas acrescentar.
- Espaço para debates
Espaço colaborativo centrado no aluno possibilitando a interação entre alunos com intervenções pontuais do professor/autor com o objetivo de incentivar, trazer novas questões, sugerir novas referências bibliográficas, etc. Tal espaço deve se basear em mecanismos tais como:
listas de discussão estruturadas com registro de histórico onde os alunos colocarão suas anotações sobre os módulos, dúvidas e respostas, questionamentos, opiniões, etc;
salas de bate-papo para comunicação síncrona, na forma de texto, entre alunos, professores/autores e convidados;
vídeo ou áudio-conferências;
suporte ao mapeamento de posicionamentos de alunos.
- Espaço para práticas não formais com fins pedagógicos
Sustentação de áreas de convivência virtual onde os participantes poderão criar e modificar entidades tais como: personagens, locais, objetos virtuais.
- Espaço de socialização
Uma área de convivência onde os participantes do ambiente interagem informalmente.
- Espaço público
Espaço reservado para a apresentação de trabalhos e seminários que poderão assumir formas variadas: texto, hipertexto, imagens, áudio, vídeo, etc.
- Espaço de monitoramento de trajetórias pedagógicas
Espaço ao qual o professor/autor terá acesso para consultar e manter informações sobre as trajetórias pedagógicas tanto de seus alunos e grupos como a sua própria. O aluno terá acesso a informações de monitoramento liberado para os participantes do curso bem como acesso restrito a ele e ao professor/autor sobre as informações individuais específicas registradas no espaço de monitoramento.
Suporte Pedagógico
- Conteúdo e metodologia
O professor deverá selecionar e organizar os conteúdos, assim como, decidir como apresentá-los de forma significativa aos alunos, utilizando as ferramentas mais apropriadas.
Na comunicação mediada por computador, as questões de linguagem se tornam fundamentais, já que este meio eletrônico faz uso de uma linguagem híbrida, que agrega a linguagem desenvolvida pelos outros meios de comunicação em massa e também apresenta novos gêneros de texto, hipertextos fechados e abertos, que demandam novas estratégias de produção e de leitura. A escrita na internet, nos induz a pensar como nossa concepção de texto está sendo alterada.
- Interação / Interatividade
Processo das relações sócio-afetivas nas quais se concretiza a aprendizagem. O professor/autor deverá se preocupar em garantir o máximo de comunicação, isto é, o espaço plausível para que ocorram os significados na apredizagem.
- Avaliação
A avaliação deve ser qualitativa, privilegiando a produção dos alunos, valorizando processos dinamizados, onde o aluno pode ser estimulado e recuperado, o que não exclui a possibilidade de avaliações somativas. O professor/autor e/ou os auxiliares didáticos estarão acompanhado os alunos individualmente pelas suas trajetórias pedagógicas, pela sua participação em eventos síncronos e assíncronos e pela sua produção. As perguntas formuladas pelos alunos também são fundamentais para perceber as suas formas de elaboração do conhecimento. Com tal monitoramento individual é possível trabalhar com as diferenças, valorizando a riqueza de um grupo heterogêneo de aprendizagem colaborativo. O processo de aprendizagem colaborativa também exige uma avaliação colaborativa, onde os próprios alunos irão comentar e avaliar os textos dos colegas. Assim o "poder" passa a ser do coletivo e não apenas do professor.
Outros Textos
Ensinar - Aprender em Situação Escolar
Perspectiva Histórico-Cultural
Prof.Dr.Angel Pino SirgadoTÉCNICA E SEMIÓTICA NA ERA DA INFORMÁTICA
Prof.Dr.Angel Pino Sirgado
Linguagens Tecnológicas e Educação: Construção de Ambientes de Aprendizagem - Considerações Sociológicas
Profa.Ivany Rodrigues Pino